Moullinex – Interview

Luís Clara Gomes também conhecido como Moullinex é claramente um dos produtores nacionais que mais tem feito pelo nome do nosso país. Partilhando o seu tempo entre Alemanha e Portugal, Moullinex conta com uma carreira de sucesso, tornando-se uma referência tanto a nível interno, mas principalmente “fora de portas”. Desde muito cedo tenho vindo a acompanhar a sua “caminhada” o que para mim faz que com esta entrevista se torne especial.

Sempre na companhia do seu amigo de longa data Xinobi, juntos criaram uma empresa discográfica (D.I.S.C.O. Texas) que tem lançado novos artistas um pouco por todo o mundo, mas também nacionais como é o caso de Lazydisco e mais recentemente o jovem Portuense SaiR. É claramente um motivo de orgulho para todos nós portugueses quem infelizmente nem sempre damos o devido valor ao que é nosso, apesar de esta tendência estar cada vez mais a ser contrariada com o passar do tempo.

Não querendo ser exaustivo, passemos à entrevista!

GS: Pela pesquisa que fizemos acerca de ti, sabemos que cresceste num ambiente onde a música foi constante. Queres falar um pouco acerca disso? Como e quando nasceu “Moullinex”?

Moullinex: Moullinex foi inicialmente uma brincadeira, agora é uma brincadeira mais a sério.. Começou com uma remix para Vicious Five. Na altura eu trabalhava com o Rui Pedro Ribeiro (zare e otka), e juntos fizémos mais algumas coisas: até “Break Chops”, trabalhámos juntos. A minha mudança para Munique tornou a colaboração mais complicada, e desde então tenho trabalhado sozinho, mas quase nunca completamente sozinho: colaboro frequentemente com o Luis Calçada, que toca baixo em muitas músicas minhas, dirigiu os videos Catalina, Superman e o Sunflare, que sairá dia 7 de Outubro. O Bruno Cardoso (Xinobi) é outro partner in crime frequente.

GS: Quais são as tuas referencias musicais?

Moullinex: Inúmeras.. Sempre ouvi muita, muita coisa.. Cresci a ouvir Pink Floyd, Gentle Giant, e prog infinita. Em minha casa havia muito tango, MPB (Chico Buarque era prato do dia), e mesmo a música portuguesa com Fausto e Zeca em quantidades fartas… Muito indie durante a adolescência, começando pelos Blur, Pulp, Pavement, Smashing Pumpkins, e depois saltando para Tortoise, Stereolab, Sea & Cake.. Algum metal, algum hip hop.
A introdução à electrónica foi através de Amon Tobin, Aphex Twin, Squarepusher, saltando para uma obsessão com Air e Goldfrapp. Através destes andei um pouco para trás, para descobrir o Soul e o Disco. Fase Stevie Wonder, fase Herbie Hancock, fase Chic…
A nível de música de dança, diria, claro, o Bernard Edwards e Nile Rodgers (Chic), Giorgio Moroder, Daft Punk, Vitalic…

GS: Como é que deste o salto para uma carreira reconhecida por todos como “um sonho”?

Moullinex: Ahah acho que “um sonho” é um exagero. Bom, isto é algo que eu nunca imaginei possível… Devo muito aos tempos “áureos” do Myspace, em que coloquei alguns temas online (Leisure Suit foi um decisivo), e a remixes para Cut Copy e Sebastien Tellier. Estes definitivamente puseram-me um pouco mais no mapa, e começaram a aparecer requests para tocar aqui e ali..

GS: Neste momento a Disco Texas representa na nossa opinião, o expoente máximo da música eléctronica produzida em Portugal. Como é que tudo começou? Qual o papel dos outros intervenientes base tais como Xinobi, Flip, Cpt. Luvlace e Bandidos!?

Moullinex: Epá, essa é uma afirmação GRANDE. Obrigado! Tudo começou à mesa (como sempre, ahah), num tasco com rissóis. Na altura eu e o Bruno (Xinobi) já fazíamos muita coisa junto, e sentimos grande afinidade com estes projectos, tanto estetica como pessoalmente. As coisas construiram-se assim, em cima do joelho. Naturalmente, como nem todos produzíamos, focámo-nos tambem em eventos, tendo, na minha opinião, perdido tempo demais nessa área. Destes eventos só resta a relação com o Lux, que acarinhamos bastante. A label foi negligenciada durante um período, mas hoje em dia a Discotexas é mais uma editora que um colectivo, e esse sempre foi o objectivo. A ajuda do Hugo Moutinho (Mr. Mitsuhirato) tem sido fulcral para pôr o nome da label no mapa. Eu estou em Lisboa desde Setembro passado, e estou a adorar estar em Portugal de novo. Trouxe a casa (e estúdio) atrás, e montámos agora um estúdio da Discotexas, full-fledged, que encaramos como a cena Motown, Hitsville USA 😉

GS: Produtores que, são ao longo da sua vida, amantes de música acabam por usar todos os seus “gostos” nas suas produções, criando géneros híbridos. É evidente ao ouvir o teu trabalho, que apresentas um profundo carácter eclético, contudo também são evidentes as mudanças no teu som ao longo do tempo. O que achas que foi ficando para trás e o que é que foi surgindo com mais preponderância?

Moullinex: Fica para trás a vontade de dizer tudo numa só música, isso é certo. Tento sempre dar uma componente do “agora” ao que faço, e almejo sempre que, corridos 10 anos, possa ouvir algo que fiz e achar que ainda é válido em 2021. Surgiu cada vez mais a preocupação com o som.. Nunca pus de lado a possibilidade de ir buscar alguma estética que explorei ha 5 anos.. Fazer uma ocasional CANÇÃO é algo que procuro hoje em dia..

GS: Parece-te que a ligação com terras germânicas têm influenciado dramaticamente a forma e o que produzes?

Moullinex: Mais em termos de indústria do que de música. É uma indústria musical mais saudável, e isso permite que traga para a minha rotina práticas e métodos que me ajudam.. O pessoal cá está um pouco à nora. E isso é bom, e mau, ao mesmo tempo. Bom porque se inventa e se é criativo a encontrar soluções, mau porque às vezes só apetece desistir. Mas é claro que conheci excelentes artistas, que me influenciaram muito.

GS: Sentes tu próprio que colaboras na diversificação das tendências musicais na Alemanha, país soberano nas áreas do Techno e do Minimal?

Moullinex: A minha editora tem um papel na batalha 😉

GS: De momento tens alguma música que estejas a ouvir em “repeat mode”?

Moullinex: Sim! ‘Cairo’, de Kamp!, a editar na Discotexas dia 9.9.2011. Não me fartei dela nem depois de estar horas fazer uma remix para eles.

GS: Diz-nos uma música que hoje tenhas “vergonha” de dizer que gostavas muito. 😀

Moullinex: Ahah! Guilty pleasure… (youtube link) Rita Lee – Lança Perfume.

Esta música foi PILHAGEM de (youtube link) Doobie Brothers – What a fool believes, mas eu gosto mais da da Rita Lee. A parte do PSST no refrão é MÁGICA!

GS: Qual a tua opinião relativamente à produção nacional a nível de qualidade e imagem para o exterior?

Moullinex: Há excelentes projectos em Portugal, e a visibilidade lá fora é maior que nunca.
A lista é inúmera e não quero deixar ninguém de fora, mas quero salientar, claro, o Xinobi, o Tiago, o Humberto (SDC), Mirror People, Dreams, Cavaliers of Fun, Photonz…. tantos mais.

GS: De momento estás envolvido em algum projecto novo? Queres falar-nos um pouco disso?

Moullinex: Dia 7 de Outubro sai o meu EP novo, Sunflare, e estivémos recentemente a filmar o videoclip. Está na fase de edição e post, mas posso desde já dizer que está a ficar mesmo bom..
Projectos de colaboração, bastantes! Tou a trabalhar numa colaboração com o Golden Bug. Outra com Telonius, ambos da minha editora.
Tou a produzir um EP com a Da Chick, numa direcção bastante diferente do que ela fez antes. Tá a ser fun!
Eu e o Xinobi temos 3 temas juntos prontos, que não demoraram mais do que 6 horas cada um a fazer. Com este ritmo temos um album pronto numa semana…
Anda aí um dude, Count Jackula, que curto.
AH! e fiz recentemente uma cover da Maniac, do Michael Sembello – quem canta é a Peaches! – e é oficial, através duma colaboração da Gomma com a Casablanca Records, Burn Studios, Beatport e Resident Advisor. Vai sair em breve e vai ser bom 🙂

English

Luis Clara Gomes aka Moullinex is clearly one of the few producers that made more for our country’s name. Sharing his time between Germany and Portugal, Moullinex has a successful career, becoming an international reference. Since he started to produce, i have been following his “journey” which to me makes this interview becomes special to me.

In addition to his production always side by side with his longtime friend Xinobi, together they created a label which has released new artists all over the world, but also national, more recently names such as Lazydisco and SaiR. He is clearly a motive of pride for all of us. Unfortunately we do not always support our own artists, although this trend is becoming to disappear.

I don’t want to bother you anymore, enjoy….

GS: For the research we made about you, we know you have grown surrounded by music. Do you want to talk about this. How and when “Moullinex” was born?

Moullinex: Initially Moullinex was more a diversion, now it’s still for fun, but a little bit more serious. Everything started with a remix for The Vicious Five. At that time i was working with Rui Pedro Ribeiro (zare e otka), together we have made some stuff including the production of “Break Chops”. My move to Munich complicated a bit our collaboration. Since then i have been working alone. Well, never completely alone, i work a lot with Luís Calçada (lol) that plays bass on several tracks i have been producing and he have also directed “Catalina” “Superman” and “Sunflare” Videos which will come out on October 7th. Bruno Cardoso (Xinobi) is also a very frequent “crime partner”.

GS: Who’s your musical influences?

Moullinex: Innumerous.. I have always heard a lot, a lot… I Grew up listening to Pink Floyd, Gentle Giant, and infinite prog. At home there was a lot of Tango, Brazilian popular music (Chico Buarque was the dish of the day), and even the Portuguese music with artists such as Faust and Zeca in copious amounts… also a lot of Indie during my adolescence. In the begining with Blur, Pulp, Pavement, Smashing Pumpkins, and later jumping to Tortoise, Stereolab, Sea & Cake.. some metal and even hip hop.
My introduction to electronica was trough Amon Tobin, Aphex Twin, Squarepusher, then i jumped into an obssession for Air and Goldfrapp.
Across these i went back a bit to find out Soul and Disco. Phase Stevie Wonder, Herbie Hancock phase, Phase Chic …
About dance music, i would say of course, Bernard Edwards and Nile Rodgers (Chic), Giorgio Moroder, Daft Punk, Vitalic …

GS: How and when your (recognized) career “jumped” into a dream?

Moullinex: Haha, i guess a “dream” it’s an exaggeration. Well, this is something i have never dreamed it was possile to become real…. I owe a lot for the Myspace “golden age”. I have put online some tracks (“Leisure Suit” was decisive), ando also the remixes for Cut Copy and Sebastian Tellier. These definitly put me a little it more on the map. Then requests to play began to appear “here and there”…

GS: In our opinion, at the moment D.I.S.C.O. Texas is the pinnacle of electronic music produced in Portugal. How did it all begin? What is the role of other stakeholders such as Xinobi, Flip, and Cpt. Luvlace and Bandidos!?

Moullinex: Hey, That is a “BIG” compliment. Thank you! It all started at the table (as always, haha) with some appetizers. At the time me and Bruno (Xinobi) already did a lot together, we also felt a big affinity with these projects, both aesthetically and personally. Things just built up, over the “knee”. Of course, as not all we produced, we focused also on events, and, in my opinion, we wasted too much time in this area. From all these events, only Lux remains, who we cherish this relationship a lot. The label was neglected for a while, but today Discotexas is more a label than a collective, and this was always the goal. The label was neglected for a while, but today Discotexas is more a label than a collective, and this was always the goal.
The help of Hugo Moutinho (Mr. Mitsuhirato) has been key to put the name of the label on the map. I’m in Lisbon since last September, and I love to be in Portugal again. I brought home (and studio) with me, and now we set up a studio Discotexas, full-fledged, which we look at it just like Motown, Hitsville USA.

GS: Producers who are throughout their life, music lovers end up using all their “taste” in their productions, creating hybrid genres. When we listen to your work, we can clearly notice an eclectic character depth. However it’s evident some changes all over these years.What do you think was left behind and what has become more preponderant?

Moullinex: It is behind the urge to say all in one song, that’s for sure. I always try to give a component of the “now” to everything i do, but also what i have done these last 10 years. I try to do something that will still be valid in 2012. My concerne is more about the sound. I never put aside the possibility of an aesthetic that i explored for 5 years ago.. To make an occasional song is something I look for today..

GS: Do you think you connection with Germany influenced they way you produce, and the music itself?

Moullinex: More in terms of industry than music. It is a healthy music industry, and this enables me to bring to my routine practices and methods that helps. People here are a bit clueless. And that’s good and bad at the same time. Good because you can invent and be creative, bad because sometimes just feel like giving up. But of course I met great artists who influenced me a lot.

GS: Do you feel yourself to assist in diversification of musical trends in Germany, sovereign country in the areas of Techno and Minimal?

Moullinex: My label has a role in the battle 😉

GS: Any track you are currently listening on “repeat mode”?

Moullinex: Yes! “Cairo,” Kamp!, Out on Discotexas on 09/09/2011. I still love it, even after spending hours remixing it.

GS: Tell us a song that you have now “ashamed” to say that I love.

Moullinex: Ahah! Guilty pleasure… (youtube link) Rita Lee – Lança Perfume.  This song was “stolen” from the (youtube link) Doobie Brothers – What a fool believes, but I prefer the Rita Lee part of the PSST in the chorus is MAGIC!

GS: What is your opinion about  the national production in terms of quality and image for the exterior?

Moullinex: There are excellent projects in Portugal, and visibility out there is greater than ever. The list is endless and do not want to leave anyone out, but I want to distinguish  Xinobi of course,  Tiago,  Humberto (SDC), Mirror People, Dreams, Cavaliers of Fun, Photonz…. and many more! 

GS: At the moment, are you involved in any new project? Do you want to talk about it?

Moullinex: October 7th is out my new EP, “Sunflare”, and I was recently shooting the video. It is in the process of editing and post, but I can already say that it is getting really good.. Also, a lot of collaborations! I’m working on a collaboration with Golden Bug and Telonius, both of my trough my label. I’m producing an EP with Da Chick, in a quite different direction than it did before. It has been fun!
I’m working with Xinobi’s as usual, and we already have 3 tracks, that did not take more than six hours each to do. With this speed we will have an album ready in a week …
There is also a dude called Count Jackula, which i love him!
Ha! Recently i have done for “Maniac” from do Michael Sembello with vocalks from Peaches! It is Official and it’s trough a collaboration with Gomma and Casablanca Records, Burn Studios, Beatport and Resident Advisor. Out very soon and it is going to be nice…

Latest Remixes:
Kamp! – Cairo (Moullinex Remix)

In Flagranti – Latter day methods (Moullinex Remix)

Count Jackula – Breakfast EP

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